A VIDA É O TRAJETO
Dia desses, conversava com uma amiga.
Era daquelas conversas descompromissadas, cujo único objetivo era proporcionar
boas risadas aos envolvidos. Falávamos
sobre nossas pretensões, quando a ouvi dizer que seu único objetivo era “ser
feliz”. Mas afinal, o que é essa tal felicidade? Aqueles que compartilham do
mesmo objetivo de vida de minha amiga fazem isso para se sentirem bem consigo
mesmos, ou apenas para não serem vistos como fracassados por outras pessoas?
Tenho cá minhas dúvidas.
Há uma frase muito difundida, mas
cabível na discussão. É atribuída a Mahatma Gandhi e fala que “não há caminho
para a felicidade. A felicidade é o caminho”. Particularmente, compartilho da
ideia de Gandhi. Não creio que seja possível viver anos a fio em busca de algo
simplesmente ignorando-se todo o percurso para chegar lá. Ainda que sejam
tomados todos os cuidados cabíveis no caminho, corre-se o risco de se frustrar
com o resultado. Essa frustração seria potencialmente reduzida se o caminho
tivesse sido de fato apreciado. Ou além: talvez o caminho seja tão encantador,
a ponto de já nem nos lembrarmos do objetivo inicial.
Desperdiçamos anos preciosos esperando o
próximo acontecimento para sermos de fato, felizes. Serei feliz quando
ingressar na faculdade; serei feliz ao sair da faculdade; Alcançarei felicidade
ao casar, ao ter filhos, ao emagrecer, ao viajar, ao voltar, ao trabalhar, ao
descansar, ao morrer...
A verdade é que, enquanto permanecíamos
sentados no banco da estação da vida esperando o trem que nos levaria à plenitude,
não nos damos conta de que a verdadeira felicidade estava nos trilhos que
conduzem ao destino. E é assim que a vida ocorre para muitos: perde-se tanto
tempo imaginando o final da jornada, que não se percebe que se perdeu a própria
viagem.
Minha amiga sabia que queria ser feliz.
E era só o que sabia. O real significado da palavra felicidade era desconhecido
por ela. É provável que ela passe pela felicidade – ou ainda, que a felicidade
passe por ela – e não se reconheçam.
Ora, se não se sabe ao certo o lugar para onde se está indo, o mais
recomendável é que se busque no caminho motivos que façam com que a aventura da
vida valha a pena. Caso não se consiga alcançar o topo da colina, ao menos nos
teremos deliciado com as flores e aromas do trajeto.

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