O
facebook possui atualmente cerca de 25 milhões de usuários no Brasil, o que
confere ao nosso país a quarta colocação mundial no ranking de usuários da rede
social. Eu faço parte dessa massa que diariamente passa minutos, horas de seu
dia comentando, compartilhando e curtindo conteúdos. Foi em um desses momentos
que vi a seguinte frase publicada lá: “Você se foi e eu afundei numa melancolia
de dar gosto”.
Fiquei
imaginando quantas projeções não cumpridas deveriam estar reunidas naquela
mulher. A dor dela não estava no que
havia sido vivido, mas sim em tudo o que foi imaginado, e na imaginação
permaneceu. Buquês de flores que jamais chegariam, declarações de amor que não
seriam mais ouvidas, o “pra sempre” que agora não passava de cinzas.
O
triste é que esse sentimento de ausência por algo que talvez nunca aconteça não
é exclusividade da autora daquela frase. Tantas, quantas, muitas pessoas vivem
a se lamuriar por amores que não deram mais certo. É tão estranha a maneira
como as pessoas padecem por amor. Ideal seria que, ao invés de ficarmos nos lamentando
pelos cantos (incluem-se aqui redes sociais) fôssemos capazes de perceber quão
bons foram aqueles momentos, enquanto duraram. Gratidão, ao invés de nostalgia.
Sofrer pra quê?
É
como se tudo de prazeroso que houve até então fosse simplesmente apagado da
memória, dando lugar a uma série de torturantes projeções frustradas. O que te faz chorar não foram os finais de
semana que passaram na praia, e sim, todas as viagens que haviam planejado, e
que jamais acontecerão. Ninguém sofre por um dia ter recebido um beijo
apaixonado. Sofre porque agora sabe que os filhos que até nome escolhido já
tinham, jamais nascerão.
A
vida é assim. Nós somos assim. O que nos faz sofrer não é o que houve de ruim,
mas o que poderia ter havido de bom. O problema não é a chuva. É o que poderia
ter sido feito, caso houvesse sol. A comida fria não é ruim. Ruim é não
podermos saborear o sabor dos alimentos quentes. O trabalho não é ruim. Ele
apenas furta os momentos que poderíamos ter para viajar, ir ao cinema, jogar
conversa fora. Não é o fato de o bebê chorar demais durante a noite que provoca
as olheiras na mãe, e sim as preciosas horas de sono que a insônia do filho lhe
confiscou. O que nos faz sofrer não é a derrota, e sim o fato de não podermos
soltar o grito de vitória que permanecerá sufocado em nós.
E,
para amenizar a dor do que não existiu, só há uma maneira: menos expectativa e
mais ação. Vida doída é a vida que não se vive!


