terça-feira, 7 de fevereiro de 2012


ENQUANTO O AMOR SEJA UM BEM...

        Diariamente, pessoas apaixonam-se, dão-se em noivado, alguns até casam, prometendo “ser fiéis na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias, até que a morte os separe”. Ocorre que depois de certo tempo, o encanto do amor se esvai, as juras de eternidade escasseiam-se, os beijos já não são mais acompanhados de toques sutis.
        Lentamente, apaga-se o passado romântico. As noites em que sonharam acordados, antes que a lua, testemunha de histórias de amor, saísse de cena, são esquecidas. Esquecem até mesmo as músicas que embalaram o início da paixão. O que resta é um relacionamento desgastado, uma convivência por obrigação, em que, muitas vezes, o diálogo já se tornou lembrança.

        Separação. Parece ser o racional a ser feito, quando duas pessoas já não conseguem encontrar-se em uma relação. E quanto aos votos matrimoniais? O combinado era que vivessem juntos até que a morte os viesse ceifar. Mas, o que seria essa morte? Segundo Michaelis, seria o “Ato ou fato de morrer; fim da vida, destruição, pesar profundo; Fim.”
        A morte vai, então, a outros lugares, além do último suspiro. Morre quem não se ama, quem se sujeita à escravidão da rotina. Morre quem se anula por uma relação sem presente nem futuro, que há muito já não satisfaz nenhuma das partes. Morre quem não arrisca, quem não inova, quem tem medo de apaixonar-se novamente, ainda que por si próprio.  Morre quem permanece sem mudar, ainda que a vida não lhe esteja saindo como o planejado. Morre quem não abre mão das desventuradas certezas para viver as deliciosas expectativas. 
         Há que saber reconhecer relacionamentos mortos. Muitos não conseguem sentir que o amor não resistiu ao convívio. E talvez não reconheçam tal por nunca terem cogitado o fenecimento do amor. Uma história que começou com flores de alvíssaras, pode acabar com flores fúnebres. É preciso sensibilidade dos envolvidos para reconhecerem a hora da necessária e recíproca emancipação.
        Amores não precisam de longos tempos, para serem bons. Necessitam,  apenas, de respeito e bom senso dos amantes. Se o amor morreu, que sejam preservados na memória os bons momentos que existiram.

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